Coisa boa é poder contar com a tranquilidade de possuir cheque especial para o caso de algum imprevisto financeiro, não é mesmo? Mais ou menos! Uma pesquisa realizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) mostrou que o número de consumidores endividados chegou a 66,3% em dezembro de 2020. Entre os motivos do endividamento da população estão o maior uso do cheque especial.

No mês de fevereiro, os juros do cheque especial chegaram a 124,9% ao ano. É o segundo mais caro, perdendo apenas para o juro do rotativo do cartão de crédito, que bateu 326,7%.

De acordo com o especialista em finanças pessoais e colunista do portal do Instituto de Longevidade MAG Hirbis Girolli, o cheque especial é uma linha emergencial de crédito, pré-aprovado pelo banco com base no histórico do cliente e vinculada à sua conta corrente.

“Ele cumpre exatamente o papel que uma reserva de emergência deveria cumprir”, explica Girolli. “Ocorre que as taxas de juros, como é sabido, são muito altas. No sistema de crédito formal, ocupa o pódio junto com o cartão de crédito. Pela vinculação automática que tem com a conta do correntista, muitos passam a enxergar com uma extensão de seu saldo e começam a acessar de forma quase imperceptível”.

Girolli alerta que o uso sem controle dessa modalidade de empréstimo pode ter consequências graves no seu orçamento. Veja abaixo alguns motivos para você evitar usar o cheque especial.

Cheque especial nada mais é do que um empréstimo que o banco faz aos correntistas. Foto: Andrey_Popov / Shutterstock

Cheque especial nada mais é do que um empréstimo que o banco faz aos correntistas. Foto: Andrey_Popov / Shutterstock.

5 motivos para você não usar o cheque especial

1. A taxa de juros é a segunda mais alta do mercado

De acordo com a Pesquisa de Taxas de Juros – Pessoa Física, realizada pelo Procon-SP em março deste ano, a taxa média dos bancos pesquisados foi de 7,96% ao mês, a segunda mais alta, perdendo apenas para o rotativo do cartão de crédito.

Pode parecer pouco. Mas, se ao final de um ano, você colocar na ponta do lápis tudo o que pagou no período com juros do cheque especial, poderá ter uma surpresa não muito agradável.

2. Armadilhas podem surgir pelo caminho

O Banco Real, que encerrou suas atividades em agosto de 2010, lançou, ainda na década de 1990, uma campanha em que pessoas passavam por problemas diversos e, quando reclamavam com os responsáveis, ouviam como resposta: “Isso não tem a menor importância; o importante mesmo é que o Banco Real oferece 10 dias sem juros no cheque especial”.

A campanha foi um sucesso e rendeu muitos novos clientes ao banco. Atualmente, a mesma facilidade é oferecida por outros bancos, como o Santander e algumas categorias do Itaú e do Banco do Brasil. Contudo, se você prestar bastante atenção, vai ver que nem tudo são flores.

A isenção de juros vale para exatos 10 dias por mês, sejam eles corridos ou intercalados, inclusive finais de semana. Se por alguma distração ou mesmo por falta de dinheiro você utilizar o décimo primeiro dia, terá que pagar juros retroativos equivalentes ao primeiro dia. E aí a carga é bem pesada.

Por isso, se você não tiver muito controle das suas finanças, o melhor é não arriscar.

3. Você não se livra da cobrança de IOF

Mesmo nos casos em que a instituição financeira oferece 10 dias sem juros, existe a cobrança do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras). A cada vez que você usa o cheque especial, é cobrado o imposto de 0,38%, e mais uma alíquota de 0,0082% ao dia, sobre o valor total emprestado.

4. O dinheiro não é seu: é do banco

Uma situação bastante comum, mas muito condenada por especialistas, é que muitas pessoas começam a considerar o cheque especial como parte do seu salário e passam a contar com aquele valor para as despesas mensais. Por maiores e melhores que sejam as vantagens oferecidas pela instituição financeira para estimular o uso da quantia disponibilizada, aquele dinheiro não é seu e seu uso implicará cobranças de juros bem altos.

Lembre-se sempre: cheque especial é um empréstimo pré-aprovado que você está fazendo com o banco.

5. Há no mercado linhas de crédito bem mais baratas

O ideal, segundo especialistas, é que você se organize para viver com o dinheiro que ganha todos os meses, usando parte para pagamento de despesas e parte para segurança financeira.

Mas se em algum momento a situação fugir do controle e você precisar de mais dinheiro para cobrir os custos, o ideal é que você converse com o seu gerente sobre as linhas de crédito que estão disponíveis dentro do seu perfil. Pergunte sobre as taxas de juros e faça comparações.

Você poderá descobrir soluções mais interessantes para o seu caso.


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