A essa altura do campeonato, ainda mais depois da pandemia, todo mundo já ouviu falar em transformação digital. Ou, pelo menos, consegue imaginar o que a expressão significa. Resumindo, o termo se refere à forma como nossas vidas foram transformadas pela tecnologia, em todas as esferas. Dos relacionamentos pessoais às compras. Do lazer ao trabalho. E é sobre o trabalho que quero falar nesse artigo.

Entre as consequências que a transformação digital pode trazer para o campo laboral, algumas beneficiam certos segmentos profissionais, trazendo oportunidades. Em outros casos, a tecnologia pode “atrapalhar”, eliminando tarefas e funções que são exercidas por categorias profissionais inteiras. Um bom exemplo de tais conflitos são os aplicativos de corrida, que geram renda para várias pessoas atualmente, mas que fizeram os taxistas perder o monopólio do mercado de transporte individual em cidades mundo à fora.

Um homeme olhando um braço mecânico. Imagem para ilustrar a matéria sobre competências.

Revolução tecnológica está mudando mercado de trabalho. Crédito: Metamorworks/shutterstock

O desaparecimento de profissões é um cenário real, portanto. E com o avanço da tecnologia, o impacto pode chegar à casa dos milhões e milhões de pessoas. Diante disso, tem-se falado muito das “soft skills”. Em português, habilidades socioemocionais. A razão é que, frente à possibilidade de sumiço dos empregos pela tecnologia, profissionais com habilidades socioemocionais bem desenvolvidas teriam destaque, já que elas tendem a ser mais dificilmente automatizadas e replicadas por robôs.

Exemplos de habilidades socioemocionais são negociação, comunicação, empatia, liderança, tomada de iniciativa e ensino. Uma definição formal diz que são “competências não-técnicas que permitem alguém interagir efetiva e harmoniosamente com os outros”. É certo que, justo por serem não-técnicas, as habilidades socioemocionais são mais difíceis de serem adquiridas. Ainda assim, podem ser desenvolvidas ou aprimoradas.

Considerando, então, que as habilidades socioemocionais são: 1) um diferencial diante da transformação digital avassaladora e 2) não-técnicas mas possíveis de desenvolvimento, a pergunta é: vale a pena buscar desenvolvê-las, do ponto de vista financeiro? Será que o mercado de trabalho paga bem por elas? Colocando de outra forma: se você tivesse que tomar uma decisão entre investir numa capacitação técnica ou não-técnica, o que faria mais diferença no seu salário (e, portanto, na sua Longevidade financeira)?

Uma ilustração de um homem executivo levantando uma barra de ferro de moedas. Imagem para ilustrar a matéria sobre competências.   As competências técnicas remuneram melhor que as socioemocionais, por enquanto. Crédito: EamesBot/shutterstock

Uma pesquisa da famosa consultoria McKinsey mostrou que, por enquanto, as competências técnicas ainda têm maior reconhecimento. Tendo examinado mais de 10 milhões de vagas de empregos entre 2017 e 2019, descobriu-se que as oportunidades que solicitavam competências técnicas pagavam aproximadamente duas vezes mais que aquelas que focavam em competências socioemocionais.

A conclusão disso é que, apesar de todo o burburinho em torno das competências socioemocionais, não há um estímulo tangível para que os profissionais invistam em seu desenvolvimento. O que é um fator complicador já que elas levam mais tempo para ser adquiridas ou aprimoradas e a revolução tecnológica já está à nossa porta.

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