Por mais que existam preconceitos sociais distintos entre os 50+ e pessoas com deficiência física (PCD), a acessibilidade e a inclusão são pontos em comum para os dois grupos. Os produtos e serviços, que são projetados sem pensar em diversidade, acabam não respeitando as particularidades e necessidades individuais. Se pessoas com deficiência, assim como os idosos, consomem, por que os produtos não são, então, pensados para eles?

Segundo um levantamento realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2019, um em cada quatro idosos tinha algum tipo de deficiência. Ou seja, 8,4% da população brasileira acima de 2 anos, cerca de 17,3 milhões de pessoas, possui algum tipo de deficiência. Dentro dessa parcela, quase metade é de idosos (49,4%).

Repensar como um produto se comporta se torna necessário. Para Danielle Falcão, criadora da Redsign For All, um hub de inovação de produtos e serviços com foco em design inclusivo, redesenhar os produtos não é uma ajuda, é uma maneira de dar acesso.

“Não é uma questão de ajudar. As pessoas são clientes. Ninguém precisa de ajuda. A gente precisa é de acesso.”

Um homem cego, atravessando a rua. Imagem ilustrativa sobre a matéria sobre acessibilidade.

Crédito: Ververidis Vasilis/shutterstock

Acessibilidade para quem?

A deficiência, seja ela física ou intelectual, é uma característica que irá acompanhar a vida de uma pessoa para sempre. Danielle não consegue enxergar a idade, então, como um problema. Um jovem de 18 anos com algum grau de deficiência, por exemplo, pode ter mais dificuldades a enfrentar do que uma pessoa neurotípica e sem nenhuma deficiência aos 80 anos.

Contudo, ela conta que pensar em mudanças através da visão de alguém com alguma deficiência, impacta diretamente mais pessoas. Para ela, esse é um ponto de extrema importância do design inclusivo.

“Quando você pensa em um design focado ao extremo, indo para uma pessoa sem visão, uma pessoa com tetraplegia, é possível cocriar o produto para ser usual. Assim, você acaba refletindo em pessoas que estão em um momento inicial dessa deficiência. No envelhecimento, isso também vai ajudar muito.”

Um produto mal projetado causa danos psicológicos

Quando Danielle começou a ajudar a sua mãe, que estava envelhecendo e tinha dificuldade com o uso do celular, ela percebeu que o problema não era com a pessoa. Um produto, como um aparelho eletrônico, com a usabilidade mal elaborada, causa problemas maiores do que a própria acessibilidade. “Eu atuo hoje com o design do extremo porque ele vai trazer opções para o envelhecimento. Eles estão casados. São os dois que mais sofrem com tudo o que mal projetado: os idosos e as pessoas com deficiência”, pontua.

“Aquele produto mal projetado está causando uma consequência psicológica ao ponto de falar o seguinte: eu estou ficando velha. Mas o problema não é ela. Um produto mal projetado causa problemas psicológicos nas pessoas. E a gente precisa melhorar o design desses produtos justamente para gente minimizar esses impactos psicológicos.”

Seja uma rampa em frente a um banco, um sistema de tecnologia de assinatura digital, o formato de uma embalagem de remédio ou mesmo o aumento nas letras de um site. Viabilizar a acessibilidade de pessoas nas extremidades, como as com deficiência, é uma forma de promover a qualidade de vida para todos, principalmente para quem está envelhecendo.

Danielle reforça que criar autonomia é um dos principais pontos do projeto em que atua. Já que as pessoas pagam e consomem, precisam usufruir da melhor forma possível. “Uma vez que o produto e serviço cumpre a função dele de uso, a gente não percebe nossas limitações”, completa.

Uma mulher conversando por meio de linguagem de sinais, pelo computador. Imagem ilustrativa sobre a matéria sobre acessibilidade.

Crédito: Svitlana Hulko/shutterstock

Um mercado de possibilidades

Enxergar a diversidade como um potencial negócio faz parte do processo de inclusão. Danielle, que possui transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH), reconhece que o problema é a falta de acessibilidade desde programas de profissionalização até a escolha das empresas.

Segundo ela, é preciso mudar a comunicação para que a educação seja inclusiva. Dessa forma, as pessoas poderão absorver e aplicar o que aprendem com mais facilidade. “Na área de tecnologia, existe uma infinidade de conteúdo, mas que não está indo em direção a pessoas que possuem algum tipo de deficiência. Principalmente as pessoas que dependem da língua de sinais”, comenta.

Danielle lidera a Deficiência Tech, a primeira comunidade de inclusão de pessoas com deficiência no mercado de tecnologia no Brasil. Em suas pesquisas, foi possível identificar que plataformas de educação e tecnologia não são acessíveis e inclusivas. Segundo a empreendedora, “se não temos mais pessoas com deficiência e mais pessoas idosas trabalhando na área de tecnologia, é justamente porque as metodologias de ensino não são inclusivas”.

As plataformas precisam ser mais acessíveis

Para ela, uma forma de solucionar parte do problema de acessibilidade é desenvolvendo pesquisas com os usuários e com os desenvolvedores dos projetos de educação. Além disso, ela destaca que de nada vale capacitar uma pessoa com deficiência para o mercado externo se ela não possui espaço interno.

“A melhor forma de você criar uma plataforma é justamente incluir as pessoas que estão sendo excluídas da cadeia de produtos e serviços dentro do seu processo, porque elas vão trazer a visão que você não possui.”

Para Danielle, não existe limitação no aprendizado. Todos, sejam pessoas acima de 50 anos ou pessoas com deficiência física ou intelectual, possuem o poder de aprender. Basta apenas que se reconheça que aprendem de formas diferentes, tornando a educação mais acessível e inclusiva.

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