Ter uma pessoa com câncer na família exige cuidado e traz preocupações para aqueles que convivem direta ou indiretamente com quem possui a doença. Mesmo com o avanço da tecnologia, a origem do câncer ainda não pôde ser mapeada e curar os tipos e subtipos da doença oncológica não é uma tarefa fácil.

De acordo com dados da pesquisa de projeções para casos previstos do Instituto Nacional do Câncer (INCA), estima-se 66.280 casos novos de câncer de mama, por exemplo, para cada ano do triênio 2020-2022. Esse valor corresponde a um risco estimado de 61,61 casos novos a cada 100 mil mulheres.

O câncer de mama feminina, segundo a assessoria do INCA, ocupa a primeira posição mais frequente em todas as regiões brasileiras. Em 2019, a doença levou a óbito 18.295 pessoas, sendo 18.068 mulheres e 227 homens.

O INCA é uma organização totalmente integrada ao Sistema Único de Saúde (SUS) e, por isso, tem o tratamento médico, que inclui consultas, medicamentos, exames e até cirurgias, oferecido de forma 100% gratuita para todos os pacientes. No entanto, mesmo com o suporte, alguns casos específicos necessitam de apoio financeiro para a realização do tratamento, como foi o caso de Fernandinha, com Leucemia Linfóide Aguda. 

Uma mulher com câncer e lenço na cabeça abraçando uma jovem mulher.

Crédito: Photographee.eu/shutterstock

O apoio faz diferença no emocional e no bolso

Quando amigos, familiares, e até mesmo desconhecidos, se unem para dar apoio à pacientes com câncer, a dose de esperança é capaz de dar forças para que o tratamento seja mais eficaz. Por exemplo, quem nunca acompanhou casos de pessoas que rasparam a cabeça junto com o familiar que está com câncer para que esse momento seja menos doloroso?

Mas, além do apoio emocional, o financeiro também faz diferença considerando alguns gastos com o tratamento.

Salve a Fernandinha” foi uma campanha de arrecadação de dinheiro para um tratamento de Leucemia Linfóide Aguda (LLA). Lançada nas redes sociais pela família de Fernanda Manzutti da Rocha, de 11 anos e que está em tratamento, a campanha começou em maio de 2021 e tinha a meta de arrecadar R$8 milhões para a realização de um tratamento de terapia genética CAR T-Cell, feita na Espanha.

Com a vaquinha, divulgada por celebridades como Kaká, Zezé Di Camargo, Fábio Júnior, Bernardinho, Deborah Secco e Carolina Dieckmann, a família de Fernanda conseguiu realizar a viagem e iniciou os procedimentos para o seu tratamento. Segundo as informações no próprio Instagram de Fernanda, a jovem já retornou ao Brasil e continuará seus cuidados médicos em solo nacional. 

Um jovem mulher levando uma senhora com câncer que está de cadeira de rodas, sorrindo e com braços abertos.

Crédito: VGstockstudio/shutterstock

Câncer: um custo psicológico

Luzia Pereira é psicóloga do Hospital do Câncer III, unidade do INCA especializado em tratamento de câncer de mama. Segundo ela, o câncer evoca, pelo menos em sua descoberta, uma experiência de desamparo e, muitas vezes, de sofrimento psíquico pelo medo da iminência de morte, mudança brusca de rotina, apreensões com os efeitos adversos do tratamento e alterações da imagem corporal.

O tratamento psicológico surge nesse momento para ajudar o paciente a expressar os sentimentos de angústia, a compreender as perdas, encontrar recursos saudáveis de enfrentamento e a possibilidade de resignificar o adoecimento e a vida. 

“O atendimento psicológico possibilita uma escuta diferenciada do paciente, sem julgamentos, de forma que se pode expressar qualquer sentimento. Isso não é possível no núcleo familiar ou entre amigos, visto estarem envolvidos emocionalmente.“

Ainda de acordo com a psicóloga, nos casos de câncer de mama, existem muitas mulheres que são matriarcas e administram as finanças e as rotinas domésticas da família, além daquelas que se ocupam das atribuições da maternidade ou de cuidado das outras pessoas. 

Ao ser diagnosticada, é necessário tempo para que a paciente cuide de si e para que os familiares ou pessoas de rede de apoio possam auxiliar em suas funções. Para a Luzia, abrir mão de suas responsabilidades não é algo simples.

“Há muitas vezes uma inversão de papéis. Um filho que sempre foi cuidado e abruptamente se vê no papel de cuidador da mãe. O marido que nunca havia se dedicado às atividades domésticas e, de repente, precisa fazê-las. Um amigo que não fazia parte do cotidiano e precisou ser inserido no mesmo. Todos precisarão aprender e é essencial que isso seja feito conjuntamente, respeitando a autonomia do paciente, de forma a lhe permitir ser protagonista do seu próprio cuidado.”

Luzia também destaca que o tratamento psicológico deve ser seguido até o momento em que haja evidência de que a doença oncológica não exista mais, e isso pode levar até 10 anos. 

A reorganização da vida, a busca de perspectivas e também o fato de lidar com a possibilidade da recorrência, são momentos que exigem o acompanhamento de um profissional para que os pacientes consigam viver melhor durante e após o fim do tratamento.

Citando Mário Quintana no poema “Pedras no caminho? Guardo todas. Um dia vou construir um castelo”, Luzia destaque que:

“Na minha concepção, talvez esse seja o momento em que as pedras estão acumuladas a espera do projeto de construção do castelo. Não um castelo como algo pré-estabelecido, mas a ser definido na singularidade de cada paciente. Um castelo que só poderá ser construído a partir do percurso onde essas pedras foram apanhadas no caminho.”


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