Por muito tempo, as pessoas com mais de 60 anos foram considerada dependentes, precisando do auxílio em seu cotidiano. De acordo com a projeção do IBGE, estima-se que elas representam hoje 16,2% da população brasileira, possuindo autonomia e poder de compra. Entre os principais gastos desse público, os remédios seguem prioritários.

Um estudo levantado pela Istoé revelou que a saúde está entre os maiores gastos dos idosos brasileiros e, mesmo com o aumento do poder de compra, o investimento com produtos e serviços médicos interfere diretamente no orçamento desse grupo.

Martin Henkel é consultor, palestrante, fundador da SeniorLab Mercado e Consumo 60+ e parceiro Instituto Moriguchi, e desenvolve o trabalho de pesquisa sobre longevidade, produtos, negócios e marketing 60+. Segundo ele, a matriz de despesas de pessoas com 60 anos ou mais, das classes A, B e C, com saúde, o que inclui medicamentos, plano de saúde privado e outras despesas ligados à saúde, como fisioterapia e nutrição, corresponde a cerca de 20% da renda média mensal.

De acordo com o pesquisador os três maiores gastos da população brasileira acima dos 60 anos são com alimentação, moradia e saúde, correspondendo a cerca de 28%, 26% e 19% do seu orçamento, respectivamente.

Tabela com a média de despesas de pessoas com 60 anos ou mais, na qual 28% corresponde a alimentação, 2,8% a moradia, 19,4% a saúde, 9,6% a tecnologia, 8,6% a vestuário e 8,5% a lazer e bem-estar. Imagem para ilustrar a matéria sobre remédios.

As despesas com alimentação incluem compras do mês, em supermercados e padarias, por exemplo. A moradia representa todos os gastos fixos com a casa, como o IPTU, aluguel, conta de água e luz, telefone fixo e manutenção. Já a saúde fica com 19%, e, de acordo com Henkel, estima-se que valor total do gasto em saúde no ano de 2020 girou em torno de 155 bilhões de reais.

De acordo com ele, já existe uma projeção de que os 60+ representem mais de 16% da população brasileira e esses dados serão confirmados após o censo 2022.

É possível falar de um país envelhecido quando temos mais pessoas com 60 anos ou mais do que jovens de zero a 14. E, segundo o pesquisador, a cidade do Rio de Janeiro já passou dessa marca há bastante tempo, já que o local possui 22% dos moradores com mais de 60 anos. Ele destaca que fenômeno idêntico acontece em Porto Alegre, No Rio Grande do Sul, com a mesma proporção do município carioca.

Nesse sentido, qualquer mudança no valor dos bens e serviços de saúde geram um impacto muito grande nas despesas dessa população.

Uma senhora recebendo remédios de uma enfermeira.

Crédito: Pixel-Shot/shutterstock

Como lidar com o aumento do preço dos remédios?

Anualmente, é feito reajuste no preço dos remédios e, no primeiro trimestre de 2021, o governo federal autorizou o aumento de até 10,08% no valor atual. Sendo o maior desde 2016 e quase o dobro do valor praticado em 2020.

Considerando o reajuste muito acima da média e o contexto atual do Brasil, que ainda sofre os impactos da pandemia e da crise econômica, um projeto de lei foi lançado para suspender o aumento no valor dos remédios. O PL939/21 ainda está em tramitação na Câmara dos Deputados.

Ainda assim, mesmo com a suspensão do aumento, existe uma previsão de que o preço dos medicamentos fique mais caro. Segundo o Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos (Sindusfarma), com o fim de isenções de PIS-Cofins para os produtos da saúde prevista pelo PL 2337/2021, a partir da Reforma Tributária, poderá haver um aumento de 12% a 21% em produtos e serviços de saúde.

Leandro Palmeira, Diretor de Pesquisa do Instituto de Longevidade MAG, destaca que a quase totalidade dos idosos no Brasil recebe, pelo menos, um tipo de benefício do Sistema de Seguridade Social e o mais comum deles é a aposentadoria do INSS. O valor do benefício é reajustado todo ano, seguindo a inflação do ano anterior, cuja apuração acontece no mês de Janeiro.

“É neste momento que se dá início às correções nas aposentadorias. Algumas projeções já apontam que terminaremos 2021 com um índice de inflação próximo de 8,3%.”

Considerando que esse valor é menor que a previsão de aumento do preço dos medicamentos divulgada dos pela Sindusfarma, Leandro afirma que é possível dizer que, em relação à capacidade de adquirir remédios, haverá perda de poder de compra. É esperado que os idosos sejam os mais impactados pois, proporcionalmente aos mais jovens, fazem mais uso de medicamentos.

De acordo, ainda, com Martin Henkel, é possível dar o aumento como certo, principalmente nos serviços, como o plano de saúde. Ele destaca também que 20% da população com 60 anos ou mais adere ao convênio e isso equivale a cerca de seis milhões de pessoas, nessa faixa etária, investindo nesse serviço privado.

Dessa forma, as mudanças de precificação em todos os segmentos de saúde no Brasil interferem diretamente no orçamento desse grupo.

O impacto da inflação no preço dos medicamentos

Segundo o especialista em planejamento financeiro, Hirbis Girolli, as mudanças nos impostos, de acordo com a Reforma Tributária, tendem a impactar os preços dos remédios uma única vez, o que concentra os efeitos negativos sobre o valor a um único momento do tempo. O problema maior para qualquer planejamento financeiro, no entanto, é a inflação

"Um processo inflacionário tende a provocar aumentos sucessivos, dificultando o planejamento financeiro pessoal e familiar. Uma das razões é a própria dificuldade de a renda acompanhar o movimento inflacionário, especialmente no caso dos idosos cuja única fonte de renda seja a aposentadoria do INSS."

Hirbis destaca também que além da desestabilização no fornecimento de matérias primas essenciais, provocada pela pandemia, existem dois outros fenômenos causadores de inflação muito relacionados a ela também: 

  1. A elevação internacional no preço do petróleo, que ainda corresponde a 30% dos custos com matéria prima em termos mundiais;
  2.  A injeção artificial de dinheiro na economia para pagar benefícios assistenciais e socorrer empresas, tanto no Brasil quanto no exterior.

Dentro desse contexto, o planejamento financeiro gira em torno da proteção dos bens. De acordo com o especialista, para enfrentar a inflação, é necessário aumentar o nível de proteção, contratando seguros e poupando para acumular mais reservas. Isso vale também para a população 50+. É preciso gastar bem para contar sempre com uma reserva que faça frente aos imprevistos com remédios e reajustes de planos de saúde. Hirbis destaca que:

"Contudo, não adianta apenas poupar certo, é preciso também investir melhor para garantir que as reservas não sejam corroídas pela inflação. Para aqueles idosos que ainda possuem condições físicas para isso, desenvolver fontes alternativas de renda pode ser uma boa alternativa. Até para enfrentar adversidades como a inflação, as pessoas - de qualquer idade ou nível de renda - precisam estar atentas sempre às 4 bases para uma vida financeira sem estresse: ganhar mais, gastar bem, poupar certo e investir melhor", completa.

Idoso segurando pílulas e cápsulas de remédios na mão.

Crédito: Perfectlab/shutterstock

Um futuro possível: menos gastos com medicamentos

Henkel acredita que a visão da prevenção deve ser intensificada e que esse é um futuro mais do que desejável. Ele é necessário. Segundo o pesquisador, o brasileiro médio ainda não está atento às questões de prevenção ou não se preocupa com a poupança de saúde, que deveria começar logo aos seus 20 anos de idade ou menos.

A partir dos 60 anos, a tendência é que tenhamos um aumento de comorbidades naturais, como hipertensão, diabetes e vários outros, sejam em maior e menor grau. De acordo com Henkel, elas acabam nos induzindo e nos exigindo o consumo de medicamentos para tratar ou amenizar essas questões.

“Sabe-se que a partir dos 60 anos de idade vamos consumir cerca de 80% de todo medicamento que se consumiu durante a vida. Então, uma pessoa que teve uma vida saudável, sem nenhuma comorbidade grave, desde a juventude, esse é o momento em que ela vai demandar o maior consumo de medicamento, para fazer o controle e o tratamento.”

Para ele, a atitude preventiva é um caminho que precisa ser buscado e promovido pelo poder público, pelos entes privados e também incentivado em cada núcleo familiar. Ao conversar com os filhos e netos e dando exemplos sobre qualidade de vida, possivelmente, no futuro as pessoas tenham uma mentalidade e um olhar mais atento para este assunto.

Já Leandro destaca que é possível sim acreditar em um futuro em que as pessoas acima dos 60 anos gastem mais com precaução e menos com remédios. Segundo ele, as gerações recentes presenciaram uma crescente conscientização pelos cuidados com a saúde.

“Houve um tempo em que não usávamos cinto de segurança nos carros, assim como informações nutricionais e datas de validade não estavam presentes em rótulos de produtos. Parece um tempo distante, mas não é.”, reforça o pesquisador.

De acordo com Leandro Palmeira, se manter mais saudável com o passar dos anos resulta em diminuir significativamente a necessidade do uso constante de diversos remédios. O valor poupado com esta redução esperada de gasto futuro poderá, então, ser redirecionado para atividades que ajudem na manutenção e na prevenção da saúde. Ou seja, um investimento em viver mais e melhor.

Saiba como economizar com remédios

Os produtos de saúde são gastos necessários e presentes na vida das pessoas acima de 60 anos. Pensando na economia com medicamentos, o Instituto de Longevidade MAG oferece descontos exclusivos em remédios para os seus membros.

Com o programa de Descontos em Medicamentos, comprar os itens mais necessários para o seu cotidiano, sem pesar no seu orçamento se torna uma realidade.  

Através da iniciativa, é possível ter descontos a partir de 47% para medicamentos genéricos e 16% para medicamentos de marca na Drogasil e na Droga Raia, integrantes da maior rede de farmácias do Brasil.

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