Em tempos de consumo consciente e/ou necessidade de levantar uma grana extra, muita gente tem recorrido a sites especializados para se desfazer de itens que não usam mais. Enjoei, Facebook Marketplace, Mercado Livre e OLX  são algumas das alternativas para quem quer vender na web. Só que, do mesmo jeito que tais endereços podem ser ótimos recursos, também oferecem riscos de golpes por trás das transações.

Foi o que aconteceu com o relações públicas Gustavo de Oliveira, de São Paulo. Na primeira semana do ano, ele decidiu recorrer ao Mercado Livre para vender um smartphone. Era sua primeira experiência e, por isso, achou normal ser contatado via WhatsApp por alguém querendo comprar o produto – ele havia fornecido o número de telefone no anúncio, o que acreditava ser outra prática comum.

Na abordagem, o interessado dizia chamar Sérgio Danilo e ser da Praia Grande, litoral paulista. Depois de solicitar o e-mail cadastrado no marketplace para finalizar o procedimento, não demorou muito para Gustavo receber uma confirmação da compra no correio eletrônico. Algumas horas mais tarde, o tal comprador solicitou a retirada do produto, utilizando um carro de aplicativo.


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Gustavo só se deu conta de que alguma coisa estava errada quando já não estava mais com o aparelho e percebeu que o dinheiro não havia sido creditado em sua conta. Foi quando reviu o e-mail recebido e estranhou o endereço eletrônico – site.mercadolivre@gmail.com. Quando questionou o tal do comprador, ainda foi zoado pelo estelionatário por ter caído em um golpe. Resultado: perdeu o celular e sequer viu a cor dos R$ 1.700 que pedia pelo produto.

"Fui muito amador. Não sabia que toda negociação é realizada apenas dentro do site. Foi tudo muito profissional, menos o e-mail que era do Gmail. Se eu tivesse me tocado antes, com certeza não teria caído nessa", acredita ele, que nunca mais pretende repetir a experiência de venda.

Situações assim não são raras. O relações públicas conta que ficou sabendo de pelo menos outros seis casos, depois que compartilhou a história em seu perfil de Instagram. "Muita gente é enganada, há muitas pegadinhas. As empresas deveriam avisar sobre esses golpes. Entrei em contato com o Mercado Livre e recebi uma resposta protocolar. Estou com muito ranço, me embrulha o estômago lembrar o que aconteceu", comenta.

Vendedora recomenda cautela

Há cerca de cinco anos a consultora Claudia Dias, também de São Paulo, usa as plataformas digitais para vender itens pessoais que não utiliza mais. Já fez mais de 50 negociações via Mercado Livre e negociou via OLX e Facebook, mas hoje prefere a segurança do marketplace mais famoso.

"OLX e Facebook são só vitrines dos produtos e toda negociação precisa ser feita diretamente com o comprador. Vendi três vezes e sempre fiquei receosa na hora de encontrar quem comprou para entregar os produtos. Também precisei bloquear no WhatsApp interessados que faziam perguntas suspeitas. Hoje, prefiro realizar transações apenas através do Mercado Livre. Nem enviar o produto por fora eu aceito; só através do sistema deles", afirma.

Ela relata que, no ano passado, vendeu uma fantasia de Carnaval a R$ 130 para uma pessoa do interior paulista. O objeto foi extraviado depois das três tentativas de entrega pelos Correios: "Como optei por usar o serviço de entrega do Mercado Livre, que oferece seguro, recebi o valor conforme prometido. Se tivesse optado por enviar por conta, provavelmente perderia o dinheiro, porque não teria como comprovar o que aconteceu".

Para evitar qualquer problema, a recomendação de Claudia é só realizar vendas através das plataformas que cuidam de todo o trâmite, do anúncio ao acompanhamento da entrega.

Mas para quem quiser se aventurar nas vendas por meio dos sites que apenas aproximam os interessados (em vender e em comprar), a vendedora recomenda alguns cuidados:

  • Desconfie de compradores que têm pressa para retirar ou receber o produto. É uma forma de pressionar a finalização da venda, sem que o vendedor tenha tempo de desconfiar das más intenções.
  • Faça uma pesquisa nas redes sociais pelo nome do interessado e veja se o perfil não é falso ou se tem atualizações suspeitas.
  • Combine previamente a forma de pagamento. A maioria das negociações é feita em dinheiro vivo, no ato do recebimento do produto.
  • Marque locais públicos para entregar a venda. Não permita que a pessoa vá buscar o item em sua casa, nem concorde fazer a entrega na residência do comprador.  Se possível, vá acompanhado ao local combinado.
  • Mantenha algum familiar ou amigo informado quando for fazer alguma entrega sozinho: diga aonde está indo e repasse o contato do comprador para a pessoa de confiança.

Grana extra em vendas pela web: o que fazer para não cair em presepada

  • Considere ter um chip de telefone exclusivo para as transações, caso o volume de vendas seja grande.
  • Jamais forneça e-mail ou telefone abertamente, nos anúncios ou comentários dos sites. É desta forma que pessoas mal-intencionadas conseguem contatos para falsificar avisos de compras, transferências bancárias e boletos.
  • Escolha plataformas que permitam ter rastreabilidade das transações, tanto por parte do vendedor como do comprador.
  • Se estiver usando uma plataforma de venda, como Mercado Livre, ao receber o e-mail de confirmação de compra, confira na plataforma se há alguma notificação no sistema e se o anúncio foi desativado. Se ainda estiver ativo, desconfie.
  • Só entregue o produto depois de conferir se o comprovante de transferência bancária ou boleto pago são reais e, também, se o dinheiro já está na sua conta bancária ou no serviço de pagamento (como Mercado Pago).
  • Em qualquer transação na web, atente à veracidade do site, observando o cadeado na linha de endereço do navegador (URL), além dos certificados de segurança emitidos por entidades competentes que validam a identidade do site.
  • Erros de ortografia nos e-mails de confirmação de venda costumam ser indícios de fraude.
  • Mantenha o sistema operacional e antivírus atualizados. Caso haja alguma suspeita de que a máquina não está funcionando como habitual, faça a formatação.
  • Não utilize rede pública de wifi nem dispositivos de terceiros para as vendas na web.

Fontes: Daniel Barbosa, especialista em segurança da informação da ESET Brasil; Eva Pereira, head de marketing na IBLISS Segurança Digital e líder de estratégia da Womcy; Marcus Garcia, VP de Produtos da FS; e Lídia Fernandes Teixeira, gerente de área técnica da TI-Xpress Informática.

O que diz a lei

De acordo com Daiille Costa Toígo, advogada especializada em Direito Digital, os provedores de aplicações, como Facebook Marketplace, Mercado Livre e OLX, têm, sim, responsabilidade em casos de fraudes.

"O artigo 18 do Código de Defesa do Consumidor estabelece a responsabilidade solidária de todos os envolvidos na relação de consumo, ou seja, vendedores, fabricantes e importadores são igualmente responsáveis por eventuais falhas na prestação dos serviços, mesmo que não tenham dado causa diretamente ao problema", explica.

Ela lembra que os sites que dispõem de serviços na internet e são remunerados por anúncios se encaixam na responsabilidade incluída no Código de Defesa do Consumidor, pois lucram com essa atividade e assumem a responsabilidade empresarial.

"Tais sites se encaixam no perfil de fornecedor pelo CDC e, juntamente com quem publicou o anúncio, devem arcar com o ônus de eventual fraude", afirma.

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