O preconceito pode se manifestar de diversas formas, atacando inúmeros grupos. Contudo, o único preconceito que todas as minorias sofrerão em comum é o etarismo. Envelhecer não é uma opção, mas também carrega o fardo da discriminação. E na luta contra o etarismo, mãe e filha se uniram com o projeto Minha Idade não me Define.

O movimento foi criado pela psicanalista Sylvia Loeb, 78 anos, e sua filha, a jornalista Carla Leirner, 59 anos, com o propósito de combater o preconceito de idade e discutir sobre problemas que cercam o processo do envelhecimento.

As redes sociais se tornaram um veículo para divulgação do projeto, mas a ideia não nasceu de forma simples. De acordo com Carla, tudo começou quando Sylvia, que é uma pessoa muito inquieta, decidiu ampliar a conversa no escritório e criar uma página no Facebook para discutir assuntos relacionados à autoestima, relacionamento etc.

Ali foi o começo da trajetória de Sylvia, que, não satisfeita, foi também para o YouTube. Mas, dentro desse contexto, Carla apenas atuava nos bastidores, já que, além de ser tímida, acreditava mais no jornalismo impresso.

A vida, que é uma caixinha de supresa, mostrou para Carla que o caminho poderia ser diferente. Depois de perder um de seus maiores clientes na editora Abril, onde trabalhava, a jornalista percebeu que o modelo de trabalho que conhecia não existia mais. Nesse momento, sua transição de carreia começou.

Nas palavras de Carla:

“Há uns dois anos, participamos de um programa de aceleração para criadores de conteúdo, o Creators Boost, da Youpix. Nosso projeto foi selecionado entre mais de 1500 iniciativas. Foi uma semana muito intensa onde, pela primeira vez, entendemos que tínhamos um negócio nas mãos. Mesmo assim, minha mãe tocava o projeto e eu ajudava. Gosto de dizer que trocamos o pneu com o carro andando, pois não sabíamos literalmente nada sobre o mundo digital. 

Depois de um tempo, o projeto não decolava, estava pesado para a minha mãe. Foi aí que resolvemos fazer uma mentoria e entendemos que estava na hora de mudar o nosso foco e que tínhamos uma baita oportunidade em mãos: falar de envelhecimento do ponto de duas gerações diferentes, ou seja, de mãe e filha.

Nesse momento, entendemos que eu tinha que sair dos bastidores e ir para a linha de frente. Tem sido muito incrível. Saímos de 14 mil seguidoras para 116 mil no Instagram e temos uma comunidade incrível no Linkedin. No ano passado, nosso projeto passou a chamar Minha Idade não me Define.”
Mãe e filha vestem a camisa do movimento Minha idade não me Define.

 Mãe e filha vestem a camisa do movimento Minha idade não me Define. Crédito: arquivo pessoal.

Internet: um veículo capaz de dar voz para o projeto Minha Idade não me Define

O potencial de sites e redes sociais, quando o assunto é levantar discussões sobre os mais diversos temas, é enorme. De acordo com um estudo recente realizado pelo Statista, banco internacional de estatísticas, o Brasil tem a quinta maior população mundial de usuários de mídia social. Além disso, fora da Ásia, perde apenas para os Estados Unidos.

Segundo a pesquisa, 160,1 milhões de pessoas usam as redes sociais. Além disso, a previsão é que o número de usuários no Brasil aumente 13% entre 2021 e 2025. O que significa mais de 180 milhões de usuários conectados.

As redes sociais representam um amplo espaço para conversar e disseminar o combate ao etarismo. A dupla do Minha Idade não me Define enxergou esse potencial, e expandiu o movimento nas redes com a hashtag #minhaidadenãomedefine. Contudo, mãe e filha sabem que esse não é um trabalho simples.

“É um veículo que dá uma voz enorme pelo alcance e pela rapidez que as coisas acontecem, o que não ocorre nos meios impressos. Isso é uma grande vantagem. Principalmente, para nós que temos mais de 100 mil seguidoras.

Por outro lado, é bastante árduo mostrar nosso trabalho e nosso valor no meio de milhares de perfis e conteúdo que explodem hoje nas redes sociais. A produção de conteúdo não pode parar, idem para as conversas com a comunidade.”

Mesmo com as dificuldades, Carla acredita que o espaço seja válido para explorar a discussão. “Apesar de tudo, é muito gratificante levar nossa conversa para tantas mulheres e ver que estamos fazendo diferença na maneira como elas enxergam a velhice”, comenta.

Mas afinal, a idade define algo ou alguém?

O único preconceito que todos sofrerão um dia, independente de classe, raça, orientação sexual ou crença, é o etarismo. Logo ampliar a discussão é necessário. Assim como também é importante não se deixar abater por esse preconceito .

Carla conta que “a cada dia surgem relatos incríveis de mulheres que estão se libertando, aceitando a própria idade e mostrando do que são capazes independentemente do que diz o RG. Tão ruim quanto os preconceitos da sociedade são as crenças autolimitantes, aquelas que nos impomos quando decidimos fazer alguma coisa fora do script”.

A grande verdade é que a idade apenas define alguém quando a própria pessoa acredita na limitação. O movimento Minha Idade não me Define, dentro desse contexto, tem o objetivo de mostrar que pessoas podem ser mais do que a sua idade.

“Na nossa comunidade, as pessoas percebem que não estão sozinhas nessa jornada. Que tem um monte de gente como ela, enfrentando essa nova jornada. É preciso entender que todo mundo vai envelhecer. O que fazer então? O melhor é aceitar e preparar o caminho para chegar lá na frente da melhor forma possível. Melhor do que ficar brigando na frente do espelho contra algo que é inexorável.”

Carla ainda diz que procurar autonomia para fazer o que se quer e o que se gosta é um caminho na luta contra a discriminação etária.

“Contar suas experiências para outras mulheres, se autorizar a fazer o que desejam, falar sobre o tema, apostar na liberdade que conquistaram com a maturidade é um ótimo caminho.“

O etarimo e a necessidade de reinvenção

No contexto econômico atual do país, trabalhar depois de certa idade se tornou uma necessidade para muitos brasileiros. De acordo com a pesquisa realizada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), em 2021, 71% dos aposentados que ainda trabalham buscam complementar a renda.

Contudo a ideia de que uma pessoa com mais de 50 anos "já passou da idade” apenas reforça o preconceito etário. Além disso, prejudica a estabilidade financeira daqueles que ainda são aptos para atuar no mercado de trabalho.

A luta contra o etarismo também é um processo de desmistificação profissional. Afinal, a idade não define as competências e habilidade das pessoas.

Para Carla, o projeto Minha Idade não me Define pode (e vai) ser ainda maior do que já é nas redes sociais. “Nossa ideia é ocupar o espaço fora das redes com encontros presenciais, palestras e workshops. Também estamos pensando em escrever um livro sobre o tema para o ano que vem”, comenta.

Promover a discussão sobre o preconceito é uma forma de colaborar para a quebra de estigmas da idade. Ajudando, dessa forma, diversas pessoas a conquistarem mais espaço, emprego, estabilidade financeira e voz.


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