Os leitores e leitoras que nos acompanham estão acostumados a ler artigos sobre a importância de atitudes como se planejar e de comportamentos como ter disciplina quando se trata de buscar a Longevidade Financeira.

Colocada dessa forma, a Longevidade Financeira é apresentada como um projeto de longo prazo cujos resultados são de responsabilidade individual. Em outras palavras: o sucesso ou fracasso desse percurso está nas suas mãos.

Essa história é verdadeira. Mas há outro lado da moeda, que também deve ser considerado.

Não é necessário dizer que muitas pessoas em nosso país têm condições precárias para assumir a responsabilidade pela busca desse projeto tão importante.

Não estou falando aqui dos baixíssimos níveis de educação financeira, o que também é fato. Refiro-me à subsistência mais básica.

Mesmo para correr atrás do ganha pão da maneira mais simples, você tem de ter, de saída, o mínimo de recursos. Poderia ilustrar isso de várias formas, mas gosto do exemplo do motorista de aplicativo.

Legenda: Mesmo para ser motorista de aplicativo, são necessários recursos para ter Longevidade Financeira.

Mesmo para ser motorista de aplicativo, são necessários recursos. Crédito: Snapic_PhotoProduction/Shutterstock 

Para buscar essa solução, é preciso, ao menos, ter acesso à internet de qualidade razoável, um smartphone minimamente funcional, e ainda ter a carteira de motorista em dia. E é claro que muitos brasileiros não têm condições nem para isso.

É por isso que, hoje, no Brasil, Longevidade Financeira virou um direito. 

Não inventamos a roda. Essa discussão vem acontecendo mundo afora com o que é chamado “Renda básica”. Entre outras razões, projetos de renda básica avançam devido à percepção da altíssima concentração de renda verificada em vários países. Ou seja: a desigualdade não é “privilégio” nosso.

Segundo o economista Pedro Nery, há dois tipos de modelos de Renda básica. Uma universal (uma renda mínima que é para toda e qualquer pessoa) garantida (uma renda mínima para todos que atendem certos critérios de pobreza).

Em nosso caso, quando falamos que Longevidade Financeira é um direito de todos, o que está em questão é a Renda básica garantida. No final de 2021, passou a figurar na Constituição Federal, no artigo 6.º – o artigo dos direitos sociais – o seguinte:

“Todo brasileiro em situação de vulnerabilidade social terá direito a uma renda básica familiar”.

Essa mudança constitucional é importantíssima, pois garante sua permanência independentemente de quem esteja no governo.

No entanto, apesar de recente, esse direito remete a políticas públicas que já são conhecidas faz um tempo. Por exemplo, o Bolsa Família. Um dos programas de transferência de renda mais conhecidos do mundo, ele é também um dos mais exitosos.

Entre as suas qualidades, está o fato de ser uma transferência direta (o dinheiro vai para as mãos do beneficiário) e ter condicionalidades (é obrigatório que as crianças das famílias que recebem estejam matriculadas na escola, por exemplo).

Mas nada é tão evidente quanto os resultados acumulados no tempo. Em outubro de 2021, pesquisa do jornal Estadão usando dados públicos mostrou que 69% dos primeiros beneficiários do Bolsa Família tinham deixado o programa.

Assim, ao contrário de uma percepção forte que havia inicialmente, as pessoas não foram desestimuladas a trabalhar ou a buscar crescer na vida por conta do benefício. Ao contrário: elas fizeram do auxílio uma porta de saída da miséria.

Se é verdade que a Longevidade Financeira é um projeto de longo prazo que deve, sim, ser buscado com planejamento e disciplina, também é verdade que é preciso ter as condições mínimas para fazê-lo.

Agora, os recursos para que esse mínimo seja alcançado está garantido na nossa Carta de Direitos. E isso não faz de ninguém um preguiçoso.

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